Os conceitos de ética vêm, já há algum tempo, sendo distorcidos em função dos valores morais que se modificam com o desenvolvimento da sociedade e seus costumes. Desenvolvimento esse que está deixando de lado o sentido de solidariedade e responsabilidade social.
Essa situação tem início quando o individualismo predomina perante o conceito geral de uma sociedade, abrindo espaço para o desenvolvimento do egocentrismo, sufocando as potencialidades altruístas e sociais do sujeito.
Esse individualismo gera no sujeito um pensamento niilista, proveniente da descrença absoluta, onde nem mais os fundamentos da ética e da religião estão presentes. Outro fator importante a ser citado é a supervalorização do dinheiro e o capitalismo exacerbado, onde a moralidade se modifica em função dos interesses pessoais de lucro.
A ética, nessa situação, se encontra isolada, sem uma fundamentação que a justifique. Ou seja, a ética é deixada de lado mas não deixa de existir dentro do sujeito como o mal e o bem, e cabe a esse sujeito decidir e escolher seus próprios valores finalidades.
A crise ética vem de uma crise entre indivíduo, sociedade e espécie, onde o que se pode fazer para que os fundamentos da ética voltem a tona é a volta da consciência moral, o surgimento de uma fé ou esperança, proveniente da necessidade de acabar com o vazio ético que aflige o cenário atual.
Assim não é necessário criar novos fundamentos para a ética, e sim tentar religar o indivíduo a espécie e a sociedade fazendo com que esses elementos criem um ciclo de inter-relações que venham a retomar a força dos valores morais dando assim espaço para a ética retomar sua posição de orientadora do comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo o bem-estar social.

