"O mais difícil em tempos conturbados não é cumprir o dever, mas identificá-lo" Rivarol

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A crise da Ética

Os conceitos de ética vêm, já há algum tempo, sendo distorcidos em função dos valores morais que se modificam com o desenvolvimento da sociedade e seus costumes. Desenvolvimento esse que está deixando de lado o sentido de solidariedade e responsabilidade social.

Essa situação tem início quando o individualismo predomina perante o conceito geral de uma sociedade, abrindo espaço para o desenvolvimento do egocentrismo, sufocando as potencialidades altruístas e sociais do sujeito.

Esse individualismo gera no sujeito um pensamento niilista, proveniente da descrença absoluta, onde nem mais os fundamentos da ética e da religião estão presentes. Outro fator importante a ser citado é a supervalorização do dinheiro e o capitalismo exacerbado, onde a moralidade se modifica em função dos interesses pessoais de lucro.

A ética, nessa situação, se encontra isolada, sem uma fundamentação que a justifique. Ou seja, a ética é deixada de lado mas não deixa de existir dentro do sujeito como o mal e o bem, e cabe a esse sujeito decidir e escolher seus próprios valores finalidades.

A crise ética vem de uma crise entre indivíduo, sociedade e espécie, onde o que se pode fazer para que os fundamentos da ética voltem a tona é a volta da consciência moral, o surgimento de uma fé ou esperança, proveniente da necessidade de acabar com o vazio ético que aflige o cenário atual.

Assim não é necessário criar novos fundamentos para a ética, e sim tentar religar o indivíduo a espécie e a sociedade fazendo com que esses elementos criem um ciclo de inter-relações que venham a retomar a força dos valores morais dando assim espaço para a ética retomar sua posição de orientadora do comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo o bem-estar social.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ética / Moral

Para discutirmos conceitos abrangentes e amplos devemos deixar de lado por alguns instantes as palavras por elas mesmas e nos concentrar nas suas possibilidades de legibilidade, assim façamos com a ética e moral para percorrermos suas fundamentações.

Para se começar a discutir sobre a ética devemos entender o indivíduo como ser vivo. O sujeito tem como necessidade vital a auto-afirmação para se situar no centro do mundo, afirmação qual, é expressa pelo egocentrismo.

É aqui que começamos a indagar o porque do famoso sonho de uma sociedade utópica e perfeita possa ser pensada, mas não realizada. Contexto contraditório até para o seu próprio autor, Tom Morus, que afirmava que tudo que podia ser pensado poderia ser realizado, mas até hoje não se conseguiu seguir o plano para a cidade utópica do renascimento.

Estamos perto desta explicação, a utopia nos mostra o verdadeiro fundamento da ética, local e convivência altamente altruísta, de forma que numa sociedade não se exista o bem individual, mas sim o comunitário. Todos trabalhando e construindo para um bem comum. O EU deixa de pensar no que sente, no que necessita e apenas forma mais um número, mais um componente de uma grande máquina funcional.

De tal forma poderíamos denominar como ética sim, o local onde o altruísmo sai à frente e comanda toda uma sociedade, a grande preocupação com o próximo. O grande elo de religação da sociedade. A moral nos surge como um comprometimento individual, do que achamos certo, uma cobrança do que seria nosso dever.

Aqui passamos a ver o indivíduo como si, pensando para seu bem. É nesta situação que descobrimos o impasse da realização da ética perfeita. O EU tem a necessidade de afirmação, coisa que o aproxima bruscamente do egocentrismo, do que poderíamos trazer para hoje como o capitalismo, a necessidade de realização pessoal, vendo a sociedade não mais como um conjunto mais como inimigos, pessoas para atrapalhá-lo.

É nesta certa distinção de inclusão e exclusão do ser, que esta a explicação da ética e da moral, na separação que só funciona se estiverem relacionadas.

Fundamentos da Ética!

Tomando como base Edgar Morin, em O Método, trazemos a discussão sobre a fundamentação do que é ética. Isso nos leva a indagar a relação entre conhecimento, ciência, política, economia e ética.

Desta forma buscamos distinguir a ética da moral, mas não deixando de entender que esses dois elementos sempre vão andar juntos, se correlacionando com as fontes biológica, individual e social. Essas três fontes se encontram no coração do indivíduo que se auto-afirma para se situar no centro do mundo, o que expressa a noção de egocentrismo.

Essa auto-afirmação imprimi um princípio de inclusão e exclusão. O princípio de exclusão garante a identidade singular do indivíduo e o princípio de inclusão inscreve o EU na relação com o OUTRO. Lembrando que o princípio de inclusão é instintivo, uma necessidade vital.